Palavras Soltas · transtornos psiquiátricos

Obrigada por acreditar – um desabafo sobre minha neuroatipicidade

“Obrigada por acreditar” é o que mais quero dizer agora.

Sexta tive uma crise no meio do pátio da faculdade e, assim como a maioria das crises, essa não veio com aviso prévio ou com alguma espécie de justificativa. Simplesmente estava lá e, de repente, travei. Travei, sentei em uma das mesas e comecei a chorar. Não havia nenhum conhecido por perto.

Ironicamente, meu ex namorado foi a primeira pessoa a conversar comigo e entender que eu precisava de socorro. Apesar das críticas que posso ter com relação a ele, não posso negar que ele sempre acreditou nas minhas crises e, de uma forma ou de outra, tentou me ajudar. Assim, o fez mais uma vez. Conversou comigo, tentando me acalmar, até que minhas amigas chegassem onde eu estava.

Uma me abraçou. Depois, outra começou a conversar sobre assuntos aleatórios para me distrair. Mais tarde, outro amigo apareceu, me ajudou a carregar minhas coisas até entrar no ônibus para ir embora.

Apesar de triste pela situação, fui para casa me sentindo infinitamente grata por ter certas pessoas na minha vida. Desde então, vim pensando em como colocar em palavras esse sentimento.

Na verdade, sei que dói e que não é bonitinho.
Sei que nem todo mundo tem a sorte que tive na sexta ou em tantas outras vezes que meus amigos me ajudaram – pessoalmente ou não.

Infelizmente, lutar contra a depressão – ou contra qualquer outro transtorno psiquiátrico – não é apenas lutar contra uma doença, há muito mais com o que lutar.

Há a angústia de não conseguir acompanhar o ritmo de todo mundo e por isso perder aula, emprego ou outras obrigações, perder amigos. Dói tanto perder amigos e ainda se sentir um peso para os que ficam. Há a agonia de sentir o desespero dos familiares que não sabem o que fazer e a incompreensão daqueles que não entendem. Há o desgaste de constantemente ter que se explicar por algo que para muitos é mera desculpa. Além disso, há sempre uma pessoa escrota para te dizer que isso é encenação, drama, ou para falar que você precisa parar de envolver os outros nos seus problemas.

É infinitamente frustrante ver que o mundo está tão transtornado e cheio de problemas e você está ali parada, travada nos seus, ainda precisando lutar contra aqueles que insistem em te desmotivar e te travar ainda mais, ou aqueles que insistem em diminuir ou romantizar sua situação.

Hoje, mais do que nunca, consigo enxergar o quão importante é ter alguém que acredite em você. Alguém que antes de te questionar, te apoie e fique ao seu lado. Essa é uma das coisas que mais nos incentiva a seguir em frente.

É imensurável o quão importante é existir alguém que fique ali e acredite em você quando todo o resto – inclusive você mesma – faz com que você se sinta um lixo.

A vocês que acreditam em mim e tentam estar ali, seja no dia a dia, seja mandando uma mensagem dizendo algo como “conta comigo quando precisar”: minha mais sincera gratidão eterna.

A quem conhece alguma pessoa neuroatípica: antes de julgar, questionar e reclamar, por favor, acredite.

Aos neuroatípicos por aí, conhecidos ou não: vocês não estão sozinhos, por mais que às vezes pareça que sim. Por mais que às vezes levantar da cama seja a coisa mais difícil do mundo e várias pessoas escrotas rodeiem vocês, vocês não estão sozinhos.
Eu acredito em vocês.

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Entendendo melhor

A depressão e os demais transtornos mentais são doenças invisíveis e, por isso, muito subestimadas. É necessário melhor compreensão e menos julgamento em se tratando de lidar e conviver com pessoas neuroatípicas. Elas são pessoas normais como qualquer outra e assim querem ser tratadas, mas necessitam de um tato especial para que consigam isso.

Se você convive com uma pessoa que sofre ou suspeita que sofra de algum transtorno psiquiatríco, tenha consciência para seu bem e para o bem dessa pessoa. Acredite, apoie, entenda.

Aqui vão alguns links que podem ajudar a entender:

Por favor, vamos nos ajudar.

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