feminismo · movimentos sociais

REITORIA OCUPADA!

Na manhã desta quarta-feira, 15, após uma reunião, vários estudantes caminharam em direção à reitoria da Universidade Federal de Goiás (UFG) para exigir maior segurança no campus, especialmente, para as mulheres.

Reconhecendo o lugar culturalmente vulnerável no qual as mulheres estão inseridas, o movimento tem foco feminista, pois as estudantes estão cansadas de sentirem o medo e as opressões que as atacam constantemente por todos os lados.

Uma tentativa de debate com a reitoria se seguiu e, insatisfeitas com as mesmas respostas vagas de sempre, as estudantes decidiram ocupar o local, que permanece ocupado até o momento. A ocupação foi realizada de forma pacífica para que não houvesse dano a nenhum funcionário e a nenhum patrimônio.

A faísca

Segundo relato de um estudante, uma jovem foi vista no estacionamento do prédio da Faculdade de Informação e Comunicação (FIC) na noite de terça, 14, aparentemente desnorteada e violentada. A denúncia se espalhou rapidamente pelas redes sociais e mobilizou centenas de pessoas que tentavam localizar a vítima e exigiam ação imediata da UFG.

Embora a jovem não tenha sido encontrada e nenhuma novidade sobre o caso tenha sido revelada, a situação foi suficiente para mobilizar aproximadamente 2 mil pessoas que se mostraram cansadas da falta de segurança e falta de posicionamento da universidade para com os demais casos de assédios que ocorrem cotidianamente.

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Reflexo de raízes profundas

O acontecimento mostra que nós, mulheres, estamos nos cansando cada dia mais da realidade enfadonha envolta por uma cultura do estupro que normatiza desde os comportamentos mais singelos aos mais graves. Situações como a relata na terça são reflexo de um longo processo de enraizamento patriarcal na sociedade.

Casos e mais casos são denunciados constantemente. Recentemente, o estupro coletivo cometido por 33 jovens chocou todo o país, deixando em todos que se espantaram com o absurdo a sensação de necessidade de fazer algo, urgentemente. Essa sensação, mixada com a própria insegurança e as violências vivenciadas cotidianamente geram atos de grande potencial, esperando uma fagulha para explodir.

A esperança é de que o movimento não perca o foco e que, acima de tudo, mostre a todas as pessoas que não estamos nem um pouco dispostas a nos calar e aceitar mais um segundo sequer a submissão a essa vulnerabilidade.

Parafraseando Jogos Vorazes, toda revolução começa com uma faísca.
Espero que essa faísca tenha sido suficiente para um movimento contra todas essas respostas, políticas e medidas insuficientes.

Acesse a página do Movimento: As Minas na Reitoria UFG

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